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PorPais de TDAH

E se Fiuk fosse seu filho?

Assistindo ao Big Brother Brasil esses dias, me deparei com uma ‘brincadeira’ que eles chamam de ‘jogo da discórdia’. A dinâmica era fazer cada participante escolher o pódio da final com 1°, 2° e 3° lugares e um participante que, na visão deles, não teria chance de ganhar. Ao término do jogo, Tiago Leifert, o apresentador, fez um balanço e disse mais ou menos assim: “só você Fiuk não foi escolhido para nenhum pódio”. Nesse momento, Fiuk tomou a palavra e disse: “eu já sou acostumado”. Aquela situação me doeu e vi a vida de tantos TDAHs refletida nessas palavras. Acredito que hoje Fiuk tenha criado mecanismos para lidar com essa situação, não que ele não se magoe, ou se entristeça, mas o lidar diariamente com a rejeição, vai criando barreiras para se defender da dor e das decepções. São anos de escola sendo preterido nas mais diversas situações, é não conseguir se enturmar pelo seu jeito disperso e lento, é fazer os trabalhos em grupo sozinho porque ninguém quer fazer com você, é não receber convites para festinhas e outras reuniões com os ‘amigos’ da escola porque você não fará falta nenhuma. Eu te entendo Fiuk e, mais do que isso, eu entendo os sentimentos daqueles que te amam.

A dor e a rejeição de um TDAH atingem uma mãe como uma faca sendo cravada no peito. Já presenciei muitas situações de exclusão do meu filho. Com o ensino remoto eu consegui ver tudo bem de perto e percebi que pessoas TDAH têm todos os motivos do mundo para se decepcionar com a escola e querer distância daquele lugar que mais parece um ambiente de hostilidade do que de aprendizado e socialização.

O que para alguns alunos é motivo de piada, para o TDAH é motivo de dor. Como é difícil perceber que pessoas tão jovens já se apresentam tão insensíveis e indiferentes à dor do outro! Precisamos abordar com mais frequência e em todas as faixas etárias as questões psicológicas e as marcas que elas deixam. Precisamos parar de estigmatizar e promover a exclusão dessas crianças, para que elas consigam superar suas dificuldades em um ambiente de fraternidade e aceitação.

Pais, conversem sobre respeito, amor e empatia com seus filhos. Por trás de uma criança TDAH existe um ser humano com maior propensão à depressão, à ansiedade e à baixa autoestima. Façamos uma corrente de afeto e solidariedade, acolhendo e incluindo as crianças neurodivergentes, ajudando-as a enfrentar os seus desafios em um ambiente humanizado e fraterno. Deixem o olhar de frieza e julgamentos apressados para trás! Deem lugar a pontes que nos ligam enquanto seres humanos e sua complexidade.