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PorFábio Emerenciano

Aprendendo Inglês – Por que é tão difícil entender um nativo?

Uma das maiores angústias do aprendiz de inglês é a dificuldade em entender um nativo falando. E não é para menos. Por mais que estudemos uma língua estrangeira, parece que o abismo entre o que aprendemos e o nível dos nativos é intransponível. Mas não é bem assim. Há uma série de tarefas que podem e devem ser feitas além da sala de aula, e tais medidas dão resultados excelentes.

Primeiro, o que devemos ter em mente é que, para entender um nativo, precisamos ouvir… nativos. É extremamente importante que nos exponhamos ao jeito que a língua alvo é falada por aqueles que nascem e vivem com ela. E como fazer isso?

VEJAM FILMES E SÉRIES

Filmes e séries são material de muito valor, já que os atores fazem justamente aquilo que o estudante mais quer: falam fluentemente. Assim, é preciso ver filmes / episódios todos os dias. Se não houver tempo para isso, que vejam trechos, uns 15 minutos que sejam, apenas para expor seus ouvidos à vozes nativas. Escolha filmes e séries (ou trechos deles) com bastante diálogos. No início, não há problema que as legendas estejam em português. Mas o áudio, em nenhuma hipótese, pode ser dublado. Vejam sempre com o som original.

Prestem atenção nas frases, por mais simples que sejam. Imitem pronúncia, entonação. Repitam o trecho, se for o caso. Façam anotações quanto às sílabas tônicas, quando estas forem muito diferentes do que vocês imaginavam. Por exemplo, palavras como “assistant” e “police” são faladas com as sílabas tônicas em SSIS e LI, e não no TANT e PO, como muita gente acha. “Vegetables” e “comfortable” também embaralham a cabeça de muita gente, pois o segundo “e” da primeira e o segundo “o” da segunda são simplesmente ignorados pelos nativos.

Também é bom prestar atenção em gírias e expressões típicas da língua fluente. Anotem, memorizem e tentem usá-las nas suas falas. Consultem seu professor quando houver dúvidas. Sempre digo a meus alunos que dúvidas são dívidas e, portanto, não podem acumular.

OUÇAM MÚSICAS

Ouvir música é algo extremamente importante. É bem verdade que algumas frases podem ser adulteradas e várias pronúncias são mudadas na cara dura, só para caber na melodia. Mas, ainda assim, ouvir os cantores prestando atenção na pronúncia, na construção frasal e no uso de vocabulário é de grande auxílio para o aprendizado linguístico e desenvolvimento da compreensão oral.

Um bom exercício é ouvir a música sem ler a letra. Anotem as palavras que entenderem. Depois, peguem a letra e confiram suas listas. Daí, peguem as letras e ouçam a música mais vezes. Cantem junto, imitem a pronúncia, anotem vocabulário. Usem as novas palavras e construções nas suas aulas.

VEJAM ENTREVISTAS

Na era do YouTube, vejam entrevistas. Procurem por alguma celebridade que vocês acompanhem. Se vocês estiverem em um nível mais avançado, retirem as legendas, tentem entender, façam inferências, contextualizem. Depois, confiram as legendas.

PROCUREM UM PARCEIRO DE CONVERSAS

Se tiverem que amigos que falem inglês, marquem conversas. Proíbam o uso do português e tentem falar no nível mais alto que puderem. Mudem de assunto, variem o vocabulário, usem as expressões aprendidas nas atividades acima. Vocês e seus amigos não são nativos, mas, quanto mais falarem, mas se acostumarão com a língua falada.

Como vemos, são hábitos simples que nos levam a uma maior capacidade de compreensão oral. Organizem os tempos livres, façam um plano de estudo e eu tenho certeza que os resultados serão excelentes.

PorFábio Emerenciano

Os problemas do aprendizado acelerado do inglês ou como não cair em falsas promessas de fluência em poucos meses

No mundo digital, onde tudo é prático e rápido, a oferta de dicas e segredos que acelerem a conquista de objetivos é uma prática comum, nas navegações pelo mundo virtual nos deparamos com anúncios que prometem perda de peso em poucas semanas e soluções mágicas para curar doenças com simples passos diários. E o melhor: gastando pouco dinheiro.

Tais atalhos também têm chegado àqueles que pretendem aprender uma língua estrangeira, geralmente o inglês. São inúmeros os sites que oferecem dicas infalíveis para a aquisição da língua alvo em poucos meses, e com fluência assegurada.

Antes de aprovar ou condenar tais possibilidades, é preciso ter em mente que, de fato, cada pessoa aprende de formas diferentes e em prazo distinto. Há, realmente, aqueles que necessitam de um curso regular que dure anos, e há aqueles que, sozinhos, se desenvolvem muito bem num idioma estrangeiro em um período reduzido.

Como funcionam os cursos que prometem resultados imediatos? Não cabe a este artigo esmiuçar tais procedimentos, mas é possível destacar que eles normalmente demonizam a gramática, afirmando que as normas da língua são enfadonhas e que atrasam a “aquisição real” da língua alvo. É mais ou menos como dizer que não precisamos aprender a formalidade linguística para nos comunicarmos com os nativos. Segundo esse preceito, o importante é aprender “apenas o necessário”, ou seja, somente aquilo que vai servir para a interação com nativos da língua inglesa. Assim, em geral, as aulas focam em situações específicas e são dadas aos alunos frases e estruturas prontas que servem especificamente para conversas em restaurantes, hotéis, aeroportos e informações rápidas como que direção tomar na rua ou saber sobre clima. 

O problema é que tais tópicos resultam numa grande limitação quanto à comunicação dita fluente. O conceito básico da fluência, segundo o Michaelis Online é: “Característica daquilo que é espontâneo, natural; espontaneidade, fluidez”, ou seja, ser fluente é falar o idioma com facilidade, naturalidade, sem um roteiro pré-definido. O site Exam English, especializado em exercícios de preparação para provas de proficiência em língua inglesa, define o nível linguístico C1, o avançado, como “a habilidade de lidar com tópicos com os quais o falante não esteja familiarizado”. Fica claro que ser fluente num idioma estrangeiro não é apenas se comunicar em situações específicas, mas ter a habilidade de lidar com situações inesperadas sem que haja danos à comunicação.

É preciso saber, portanto, que nem sempre um interlocutor dará respostas conforme o esperado, razão por que são necessários um conhecimento linguístico sólido e um vocabulário mais complexo, condições indispensáveis para uma comunicação clara. O Preply diz que o falante de nível avançado “se expressa fluentemente quase que em qualquer situação, sem a necessidade de se recorrer às expressões”. Entendemos que o falante fluente se comunica bem sem precisar lançar mãos de frases prontas, previamente memorizadas.

O aprendizado real vai muito além do mero ensaio de situações específicas e da memorização de perguntas e respostas selecionadas previamente. Chegar ao nível de confiança plena numa língua estrangeira é lidar com questões do dia-a-dia, resolver problemas, conversar sobre assuntos inesperados e interagir com diferentes mídias (sites, chats, jornais, livros, rádios, TVs…), entre outros.

Outro ponto importantíssimo a ser considerado quando estudamos outro idioma: o sotaque, um aspecto geralmente ignorado nestas promessas de aprendizado rápido, o que leva o aluno a entender que repetir o que é dito, imitar a pronúncia apresentada, leva a excelência da expressão oral.

A forma de falar varia bastante entre regiões e tem papel fundamental na comunicação. É natural que tenhamos preferência e / ou facilidade para determinada maneira de expressão, mas estamos sempre sujeitos a nos deparar com interlocutores de diferentes países e cidades, com características marcantes no jeito de falar. E como ignorar isso?

O canal de YouTube Oxford Online English tem vários vídeos que levantam a necessidade de ouvirmos “diferentes vozes”, ou seja, diferentes pessoas se expressando oralmente das mais distintas formas. A perfeita compreensão de todos os sotaques é praticamente impossível para um não nativo, entretanto, quanto maior a convivência com a diversidade, maior a habilidade de expressão e de compreensão da língua alvo.

A imersão cultural é outro fator de suma importância para a aquisição real do idioma pretendido. A história, a geografia, a música, o cinema, a TV, a culinária, e o esporte, entre outros, nos ajudam a entender tópicos de conversação, vocabulário, gírias e sotaques, o que melhora sensivelmente nossa capacidade de manter uma conversa eficiente que, como já vimos, é algo fácil, espontâneo e fluído, sem as amarras da memorização e do limitado vocabulário.

“se baseia na ideia de que o exitoso aprendizado de uma língua vem da necessidade de comunicar o sentido real. Na Abordagem Comunicativa o objetivo principal é apresentar um tópico em um contexto o mais natural possível”. Tal definição só corrobora com a ideia que o falante precisa estar preparado para a comunicação e para discussões que sejam necessárias. E numa situação assim, os argumentos precisam ser eficientes e espontâneos.

Não há nada de errado em se buscar e em se oferecer um aprendizado mais rápido e com aulas e avaliações mais práticas; e também é importante que se simule, nas aulas, conversas e situações corriqueiras. Mas é necessário que os critérios aqui explanados sejam observados. A excelência do ensino e do aprendizado não reside na duração dos cursos, mas em como eles são montados e ministrados. Se a instituição ou professor particular oferece vocabulário formal e informal, estrutura e prática de gramática eficientes, imersão cultural e distintos sotaques, o aluno está diante de uma grande oportunidade de aprendizado real. E a partir daí, montando, junto com o educador, um programa de estudo e prática da língua, o aprendiz poderá aproveitar os benefícios de ter um amplo conhecimento da língua estrangeira.