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PorFábio Emerenciano

A impressionante história da língua inglesa

Que a língua inglesa é a mais importante do mundo, pelo menos em termos de ciências, literatura, comunicação, negócios e Educação, não temos dúvida nenhuma. Tanto que, mesmo não sendo a mais falada no planeta em número de nativos – mandarim e espanhol são à frente do inglês neste quesito – o inglês é a língua, segundo o Science Citation Index, de 95% dos artigos científicos escritos pelo mundo. E só metade deles têm origem em países cuja população fala inglês como primeira língua. Na Literatura, 28% dos livros publicados estão em inglês. Na marinha e na aeronáutica, o inglês é a língua usada em esfera mundial. Especialistas ainda afirmam que dois terços das correspondências de hoje em dia estão em inglês. Nos negócios, mais de 90% das pessoas afirmam que usam o inglês quando querem comprar e vender com pessoas de outros países. Na Educação, a QS World University Rankings afirma que das 50 melhores universidades do mundo, 33 estão em países que têm o inglês como primeira língua. Das outras 17, 11 estão em lugares como Alemanha, Hong Kong, Suíça, Coreia do Sul e Cingapura, onde o estudante estrangeiro não teria problemas de se comunicar em inglês.

Mas o presente texto não pretende olhar nem para o presente, nem para o futuro do inglês. A ideia aqui é olhar para trás, ainda que de maneira bem superficial, para entender como esta língua chegou à sua forma e à sua importância atuais.

Tudo começou há cerca de 1500 anos e os linguistas em geral dividem o inglês em Old English (Inglês Antigo), Middle English (Inglês Médio) e Modern English (Inglês Moderno). O Inglês Antigo data do longínquo período entre os séculos V e XI. Não são tantos os registros linguísticos desta época, mas o poema “Bewulf” é um conhecido marco. Quem já leu a obra, como eu o fiz nos tempos de faculdade, sabe como o inglês daquela época era distinto do que conhecemos hoje. Na verdade, em muitos momentos, nem parece inglês, o que complica a compreensão da leitura. Mas já era inglês.

Mas de onde veio a língua? Impossível não recorrer à História para entendermos tal gênesis. Tudo começou por volta do século no século V, quando tribos germânicas vindas do continente europeu invadiram a ilha da Grã Bretanha – que hoje abriga Inglaterra, Escócia e País de Gales – e lá se fixaram, forçando seus antigos habitantes a se refugiarem em outras regiões da ilha, como a costa oeste e Terras Altas do norte, as Highlands.

Os invasores eram os Anglos, os Saxões e, em menor número, os Jutos. Há ainda vestígios, mas às vezes contestados, de um outro povo colonizando área da Grã-Bretanha naqueles tempos, os frísios. Mas foram mesmo os Saxões e, principalmente, os Anglos que ocuparam as maiores áreas da terra conquistada. Tanto que o local passou a ser conhecido como “Angle Land”, ou Terra dos Anglos. Mais tarde o nome virou “England”, traduzido em português como Inglaterra. O idioma por eles falado foi então denominado de English, e mais tarde classificado como o Old English que citamos acima. Daqueles tempos ficaram no inglês atual dezenas de palavras, entre elas “after”, “bird”, “house” e “work”.

No final do século VI, missionários cristãos chegaram à ilha e, da convivência com os habitantes do local, surgiu uma importante influência do Latim no inglês, que deu ao idioma palavras relacionadas ao Ensino e à Religião como “campus”, “focus”, “minister” e “school”.

Por volta século X, a Grã Bretanha foi invadida por tribos bárbaras do norte europeu e deste período sugiram palavras como “egg”, “husband”, “take” e “sky”. Essa influência foi uma espécie de reaproximação do idioma como suas origens, já que anglos e saxões tinham origem semelhante a dos bárbaros invasores.

A partir do ano de 1066, depois de uma violenta batalha travada em Hastings, que por sinal é a cidade onde estudei na Inglaterra, os Normandos passaram a dominar a Grã Bretanha. Deste período surgiram muitas palavras ligadas à administração pública, ao Direito e à culinária. Quem fala francês logo se identifica com “beef”, “court”, “diplomacy” e “soup”. Esta influência francesa, somada a anterior aproximação com o latim, transformam o inglês, inaugurando o que hoje se denomina de Middle English.

A Renascença dos séculos XV e XVI reforçou a influência do francês e foi responsável por uma segunda onda de aproximação do Latim. Além disso, o período também foi marcado pela presença da língua grega e desta mistura surgiram palavras como “physics”, “architecture”, “educate” e “history”.  

Nesta época houve a ainda a “Grande Mudança Vocálica” no inglês, o que transformou tremendamente a pronúncia da língua. Para muitos especialistas, este foi a pedra fundamental do Inglês Moderno. Foi também um período de valorização da língua inglesa, e a produção literária aumentou consideravelmente no idioma. Para termos uma ideia, foi neste início de Inglês Moderno que surgiram escritores como Shakespeare.

Outro fator que levou à maior importância da língua foi a expansão do Império Britânico, que levou a influência do inglês para os quatro cantos do mundo, incluindo Índia, várias localidades da África, Oceania e uma grande massa territorial do continente americano.

Se por um lado a época levou o idioma para fronteira cada mais distantes, também foi um período que testemunhou o inglês adquirindo influências dos novos falantes e adicionando novos sotaques e entonações, além de incorporar uma enorme gama de palavras novas.   

Além de tudo isso que já vimos, sabemos que o século 20 viu um grande crescimento político, econômico e militar dos Estados Unidos, antiga colônia britânica. E nesta esteira veio um grande expansionismo da cultura americana, que espalhou pelo planeta a ciência, a música, o cinema e o jeito americano de viver e de falar. Foi um grande impulso para a língua inglesa se fixar de vez como o idioma mais usado do mundo.

Como vimos, são 15 séculos de mutação e expansão do inglês que transformaram aquele idioma complicado em algo simples, bom de aprender e tão importante de saber.

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