Arquivo de etiquetas Criatividade

PorJoão Ademar de Andrade Lima

“Prosa” da Criatividade

ou “Proseando o Cordel da Criatividade

Ao vasculharmos por definições do que venha a ser criatividade, facilmente encontramos citações que vão desde abordagens psicológicas até o pragmatismo dos dicionários. Entre tantas, cada uma das quais sempre buscando atrair seus conceitos para sua área de atuação ou seu contexto específico, o que, de pronto, acaba por dificultar um dito consenso sobre qual delas seria a mais correta ou a mais completa.

A despeito desses recorrentes hiatos, parafraseando René Descartes – “crio, logo existo” – podemos chegar à máxima de que “ser criativo” é uma qualidade essencial do ser humano ou uma habilidade humana básica, aplicável a qualquer profissional, em qualquer ramo de atividade, ao passo que cada um de nós pode ser criativo – ou mais criativo – se reconhecermos nossos talentos únicos e os desenvolver.

Criatividade é o processo de mudança, de desenvolvimento e de evolução na organização da vida subjetiva. É uma extensão da inteligência, reputando-se essa como a capacidade de armazenar e manejar adequadamente um vasto volume de dados, ao passo que a criatividade é a capacidade de sintetizar e combinar esses dados para obtenção – ou criação – de algo novo e útil. Nesse contexto, podemos incluir as atividades de projeto – o desenho industrial, a arquitetura, a engenharia… mas não só, claro – nas quais essa característica se mostra evidente.

Solucionar problemas projetuais é, sem a menor dúvida, um ofício eminentemente criativo. É uma atitude humana e racional, que nem todos os avanços tecnológicos juntos podem substituir. Mas aí vem a questão: como, então, reconhecer, desenvolver e aumentar a nossa criatividade? O primeiro passo é entender e aceitar o fato de que somos, realmente, pessoas criativas… e que somos capazes de sermos ainda mais criativos! Segundo, para nos tornarmos mais criativos, devemos alimentar e aprender a escutar a nossa “voz” interior, dita “intuição”. Quando estamos, por exemplo, envolvidos numa atividade que requeira uma solução criativa, devemos nos mostrar abertos a uma grande variedade de soluções possíveis, sem limitações advindas das nossas personalidades, ou das nossas crenças, ou da própria cultura social, no que podemos chamar de estágio de “não censura”. Não devemos, também, ter medo de falhar! Mesmo um resultado ruim, à primeira vista, pode conduzir a uma nova ideia ou uma nova possibilidade.

Da mesma forma, há de termos em mente que nem toda solução é possível de ser implementada, de modo que, em vários momentos, será necessário “descartar” aquilo que parecia ser uma boa ideia ou solução, mormente por limitações do problema ou projeto.

Por fim, temos que, literalmente, praticar e aplicar o processo criativo que, como o próprio nome diz, é processual, requerendo etapas, evolução. Essa prática criativa pode ser alcançada pelas chamadas “técnicas de criatividade”, cujo objetivo é a geração de ideias e a facilitação à produção de um conjunto de conceitos básicos, de respostas a um problema dado. Por definição, técnicas de criatividade são metodologias sistematizadas, com diferentes graus de abstração, destinadas a produzir estímulos nas pessoas, visando a geração de ideias. Nada mais são que regras, ensaios, caminhos, meios, procedimentos… desencadeadores do processo criativo. A ponte que liga o vácuo onde se está inserido o problema à respectiva solução. São dezenas de técnicas propostas e praticadas: “brainstorming” – ou “tempestade cerebral” –, “caixa morfológica”, “caixa preta”, “635”, “morfograma”, “biônica”, “busca de analogia” etc.. Para cada caso, há uma mais adequada.

PorJoão Ademar de Andrade Lima

Cordel da Criatividade

Uma tentativa de inserir, “criativamente”, temas/autores/conceitos sobre Teoria da Criatividade

Escrito em maio de 2008 e utilizado em sala de aula

Uma coisa importante
Que interessa toda gente
P’ra qualquer atividade
Ficar mais eficiente
Seja ela profissão
Ou apenas diversão
Que trabalhe nossa mente

“Uma forma de loucura”
Assim’disse o tal Platão
P’ro seu colega, Sócrates
É “divina inspiração”
E tem outro que’afirmou
Carl Rogers, pensador
Ser “auto-realização”

A tal criatividade
Que nos faz ser diferente
É resposta às perguntas
Que vêem lá do inconsciente
Nas ideias mais primárias
E nas decisões diárias
Ela sempre ‘tá presente

Capacidade criadora
Inventividade, engenho
Que treina’in ‘teligência
E melhora o desempenho
Das tarefas mais cascudas
Que embolam nossas cucas
Tem que ser cába ferrenho

A cada problema novo
Dos que surgem toda hora
Ela é a peça chave
Que vem lá do quengo e aflora
Buscando’uma solução
O que’é ruim, fica bem bão
E se né bão, fica lá fora

O caminho criativo
Segue um rumo bem traçado
Num momento atrás do outro
Um por um, intercalado
Inspirando e preparando
Incubando e ’luminando
Depois, é verificado

É ideia original
A primeira, inspiração
Que surge com o problema
Como sendo a previsão
Como base, arquitetura
Alicerce, estrutura
P’ra chegar à solução

Já com o problema em vista
Passada a inspiração
Vem, então, segunda etapa
Chamam de preparação
É a fase informativa
Em que a mente fica ativa
Em completa imersão

Com todos dados juntos
Cada fat’ou informação
A cabeça se esfria
E entra na incubação
Deixando p’ro inconsciente
A decisão coerente
Que traz’a’i ’luminação

Aqui, na iluminação
O eureca é presente
E aparece, de sopapo
Com’um fogo que acende
A luz que traz a ideia
E, na cara, se revela
‘Cê até se surpreende

Com’a verificação,
Se observa o elaborado
E se vê se a proposta
Condiz como resultado
Vê se’a resposta é plena
Se’acabou valendo a pena
Todo o tempo dedicado

Olhando assim até qu’é fácil
Ser um cába criativo
De certo modo, é verdade
N’um carece nem de crivo
Mas n’um pode se afrouxar
Assim, tem que se treinar
P’ra manter o quengo ativo

É então que têm as técnicas
Que a mente desenvolve
Um mói regras e jogos
P’ra que a gente desenrole
Estímulo ao pensamento
Faz parte do treinamento
D’entre vários, ‘cê escolhe

Tem a “caixa morfológica”
A “tempestade cerebral”
“Caixa preta” e “biônica”
Cada uma mais legal
“Morfograma”, “analogia”
É só ‘cê vê com empatia
A cada caso, há’um ideal

No final, num tem mai’jeito
Dela ‘cê num têm escape
Seja lá qual fo’u moído
Tem que ter criatividade
Resposta solicitada?
Ela vai ser demandada
P’ra qualquer finalidade