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PorJoão Ademar de Andrade Lima

11 de agosto, Dia do Direito Autoral?

O tão celebrado 11 de agosto é uma referência direta a Lei Imperial de 1827, que criou as duas primeiras Faculdades de Direito do Brasil, uma em São Paulo e outra em Olinda, daí porque comemorarmos o Dia do Jurista – razão óbvia – e o Dia do Estudante – também assim, porque essas duas primeiras faculdades de Direito igualmente foram as nossas duas primeiras escolas de Ensino Superior, stricto sensu.

O que nem todos sabem é que foi também essa Lei que nos trouxe a nossa primeira proteção autoral objetiva, ao estabelecer o privilégio exclusivo, por dez anos, dos livros preparados pelos professores dos referidos cursos, especificadamente no seu artigo 7º, ipsi literis abaixo transcrito.

Os Lentes farão a escolha dos compendios da sua profissão, ou os arranjarão, não existindo já feitos, com tanto que as doutrinas estejam de accôrdo com o systema jurado pela nação. Estes compendios, depois de approvados pela Congregação, servirão interinamente; submettendo­se porém á approvação da Assembléa Geral, e o Governo os fará imprimir e fornecer ás escolas, competindo aos seus autores o privilegio exclusivo da obra, por dez annos [grifo nosso].

Um marco – por que não? – igualmente histórico, notadamente ocultado por outras relevâncias, mas que merece seu espaço de comemoração. Afinal, é o Direito Autoral o mais romântico e sublime dos ramos jurídicos, por uma simples razão, qual seja – já escrevi outrora –, por tutelar aquilo que mais aproxima o homem de Deus: o poder de criação! A ciência, a arte, a filosofia, a música – arte das musas –, a poesia… o belo, o feio… a História e as estórias. Tudo o que faz a gente ser gente!

Então – ousadamente –, feliz 11 de agosto, “Dia do Direito Autoral”!

PorJoão Ademar de Andrade Lima

Ao “tempo” e ao “acaso”

…e 500.000 respiros a menos

Parar para pensar no “acaso” é parar para pensar em como a efemeridade da vida pode ser angustiante, estressante, tortuosa, depressiva! Pensar que cada gesto, cada movimento, cada cinco minutos – ou cinco segundos – “perdidos” ou adiantados podem contribuir para mudanças absolutamente radicais em nosso percurso terreno, idem assustador, principalmente porque essa condição de certeza só reforça a, também, certeza que a vida é um mero recorte de acontecimentos, unidos como num quebra-cabeça, por vezes desordenado. Parar para pensar em nossa existência e nas missões de vida que a natureza nos incumbiu é outra desventura que volta e meia me deparo enfrentando.

Meu Deus, se não sei nem o que vou fazer daqui a cinco minutos – qual aqueles mesmos que falei há pouco – quiçá as incumbências que ela – a vida – tem para me fazer cumprir! Estamos numa era de aceleração, num momento histórico ubíquo, em que o “tudo ao mesmo tempo e agora” se tornou regra basilar, afastando-nos do ostracismo, da preguiça, da autocontemplação, da vivência pura e simples, do se sentir respirar, do se sentir viver, presente nas pequenas, bobas e simplórias coisa da vida, do cheiro da chuva à contagem das estralas.

Hoje completamos 500.000 mortes oficiais por Covid-19 no Brasil. Meio milhão de mortos! Números, para nós – ainda vivos – sermos levados a pensar – para além de todas as angústias reflexões decorrentes – na necessidade de desacelerar, reduzir a marcha e sentir o respiro que nos resta!

Desacelere o tempo para vislumbrar o acaso. Pare de buscar entender essa tal missão para simplesmente esperar o porvir. Deixe o amanhã pelo hoje, tentando entender que a vida, e sua efemeridade, é dada, de presente, pelo presente. Busque, ainda que superficialmente, aceitar que a passagem é um fato, que quaisquer planos, por quaisquer motivos, podem ser abruptamente desfeitos, que ao “tempo” está o “acaso”, que o “tudo está escrito” transforma-se num livro em branco, com capítulos paulatinos, mutáveis, inéditos e imprevistos.

E – ao menos (tomara!) por hora… quem sabe? – isolados e cansados, mas com fé, máscara, vacina, ciência e verdade.

PorJoão Ademar de Andrade Lima

“Prosa” da Criatividade

ou “Proseando o Cordel da Criatividade

Ao vasculharmos por definições do que venha a ser criatividade, facilmente encontramos citações que vão desde abordagens psicológicas até o pragmatismo dos dicionários. Entre tantas, cada uma das quais sempre buscando atrair seus conceitos para sua área de atuação ou seu contexto específico, o que, de pronto, acaba por dificultar um dito consenso sobre qual delas seria a mais correta ou a mais completa.

A despeito desses recorrentes hiatos, parafraseando René Descartes – “crio, logo existo” – podemos chegar à máxima de que “ser criativo” é uma qualidade essencial do ser humano ou uma habilidade humana básica, aplicável a qualquer profissional, em qualquer ramo de atividade, ao passo que cada um de nós pode ser criativo – ou mais criativo – se reconhecermos nossos talentos únicos e os desenvolver.

Criatividade é o processo de mudança, de desenvolvimento e de evolução na organização da vida subjetiva. É uma extensão da inteligência, reputando-se essa como a capacidade de armazenar e manejar adequadamente um vasto volume de dados, ao passo que a criatividade é a capacidade de sintetizar e combinar esses dados para obtenção – ou criação – de algo novo e útil. Nesse contexto, podemos incluir as atividades de projeto – o desenho industrial, a arquitetura, a engenharia… mas não só, claro – nas quais essa característica se mostra evidente.

Solucionar problemas projetuais é, sem a menor dúvida, um ofício eminentemente criativo. É uma atitude humana e racional, que nem todos os avanços tecnológicos juntos podem substituir. Mas aí vem a questão: como, então, reconhecer, desenvolver e aumentar a nossa criatividade? O primeiro passo é entender e aceitar o fato de que somos, realmente, pessoas criativas… e que somos capazes de sermos ainda mais criativos! Segundo, para nos tornarmos mais criativos, devemos alimentar e aprender a escutar a nossa “voz” interior, dita “intuição”. Quando estamos, por exemplo, envolvidos numa atividade que requeira uma solução criativa, devemos nos mostrar abertos a uma grande variedade de soluções possíveis, sem limitações advindas das nossas personalidades, ou das nossas crenças, ou da própria cultura social, no que podemos chamar de estágio de “não censura”. Não devemos, também, ter medo de falhar! Mesmo um resultado ruim, à primeira vista, pode conduzir a uma nova ideia ou uma nova possibilidade.

Da mesma forma, há de termos em mente que nem toda solução é possível de ser implementada, de modo que, em vários momentos, será necessário “descartar” aquilo que parecia ser uma boa ideia ou solução, mormente por limitações do problema ou projeto.

Por fim, temos que, literalmente, praticar e aplicar o processo criativo que, como o próprio nome diz, é processual, requerendo etapas, evolução. Essa prática criativa pode ser alcançada pelas chamadas “técnicas de criatividade”, cujo objetivo é a geração de ideias e a facilitação à produção de um conjunto de conceitos básicos, de respostas a um problema dado. Por definição, técnicas de criatividade são metodologias sistematizadas, com diferentes graus de abstração, destinadas a produzir estímulos nas pessoas, visando a geração de ideias. Nada mais são que regras, ensaios, caminhos, meios, procedimentos… desencadeadores do processo criativo. A ponte que liga o vácuo onde se está inserido o problema à respectiva solução. São dezenas de técnicas propostas e praticadas: “brainstorming” – ou “tempestade cerebral” –, “caixa morfológica”, “caixa preta”, “635”, “morfograma”, “biônica”, “busca de analogia” etc.. Para cada caso, há uma mais adequada.

PorJoão Ademar de Andrade Lima

Cordel da Criatividade

Uma tentativa de inserir, “criativamente”, temas/autores/conceitos sobre Teoria da Criatividade

Escrito em maio de 2008 e utilizado em sala de aula

Uma coisa importante
Que interessa toda gente
P’ra qualquer atividade
Ficar mais eficiente
Seja ela profissão
Ou apenas diversão
Que trabalhe nossa mente

“Uma forma de loucura”
Assim’disse o tal Platão
P’ro seu colega, Sócrates
É “divina inspiração”
E tem outro que’afirmou
Carl Rogers, pensador
Ser “auto-realização”

A tal criatividade
Que nos faz ser diferente
É resposta às perguntas
Que vêem lá do inconsciente
Nas ideias mais primárias
E nas decisões diárias
Ela sempre ‘tá presente

Capacidade criadora
Inventividade, engenho
Que treina’in ‘teligência
E melhora o desempenho
Das tarefas mais cascudas
Que embolam nossas cucas
Tem que ser cába ferrenho

A cada problema novo
Dos que surgem toda hora
Ela é a peça chave
Que vem lá do quengo e aflora
Buscando’uma solução
O que’é ruim, fica bem bão
E se né bão, fica lá fora

O caminho criativo
Segue um rumo bem traçado
Num momento atrás do outro
Um por um, intercalado
Inspirando e preparando
Incubando e ’luminando
Depois, é verificado

É ideia original
A primeira, inspiração
Que surge com o problema
Como sendo a previsão
Como base, arquitetura
Alicerce, estrutura
P’ra chegar à solução

Já com o problema em vista
Passada a inspiração
Vem, então, segunda etapa
Chamam de preparação
É a fase informativa
Em que a mente fica ativa
Em completa imersão

Com todos dados juntos
Cada fat’ou informação
A cabeça se esfria
E entra na incubação
Deixando p’ro inconsciente
A decisão coerente
Que traz’a’i ’luminação

Aqui, na iluminação
O eureca é presente
E aparece, de sopapo
Com’um fogo que acende
A luz que traz a ideia
E, na cara, se revela
‘Cê até se surpreende

Com’a verificação,
Se observa o elaborado
E se vê se a proposta
Condiz como resultado
Vê se’a resposta é plena
Se’acabou valendo a pena
Todo o tempo dedicado

Olhando assim até qu’é fácil
Ser um cába criativo
De certo modo, é verdade
N’um carece nem de crivo
Mas n’um pode se afrouxar
Assim, tem que se treinar
P’ra manter o quengo ativo

É então que têm as técnicas
Que a mente desenvolve
Um mói regras e jogos
P’ra que a gente desenrole
Estímulo ao pensamento
Faz parte do treinamento
D’entre vários, ‘cê escolhe

Tem a “caixa morfológica”
A “tempestade cerebral”
“Caixa preta” e “biônica”
Cada uma mais legal
“Morfograma”, “analogia”
É só ‘cê vê com empatia
A cada caso, há’um ideal

No final, num tem mai’jeito
Dela ‘cê num têm escape
Seja lá qual fo’u moído
Tem que ter criatividade
Resposta solicitada?
Ela vai ser demandada
P’ra qualquer finalidade

PorJoão Ademar de Andrade Lima

O “Poeta” de Platão e o “Gênio” de Kant

De ontem pra hoje, revisitando antigos arquivos e recortes, me deparei novamente com texto “A arte não pode ser inferior à ciência”, de Charles Kiefer, onde o famigerado embate entre estes “lados” foi trazido à reflexão. Na oportunidade, lembrei­-me de uma breve digressão tangente ao tema que ousei esboçar num passado quase remoto; rascunho esse que, igualmente, “ouso”, aqui, (re)publicizar.

Para o filósofo Platão, discípulo de Aristóteles, a verdadeira beleza se relacionava com a arte só excepcionalmente e apenas a chamada “inteligência pura” seria capaz de a ela contemplar. Para ele, a poesia, dentre as demais manifestações, hoje tidas como artísticas, era a que possuía maior afinidade com essa “inteligência” e os seus criadores – os poetas – possuíam uma posição privilegiada, estando acima dos artesãos, pintores e escultores, e assemelhando­se aos augures, isto é, homens aos quais se atribuíam faculdades divinatórias. Segundo seu pensamento, os chamados artífices, ou seja, aqueles últimos (artesãos, pintores e escultores), apenas imitavam as aparências das coisas e da natureza que, por sua vez, já era uma “imitação” do que Platão definiu como sendo o “Mundo das Ideias” que, segundo sua teoria, configurava­se na “beleza suprema”, ideal e superior à “beleza artística”. Desta forma, os poetas e os artistas eram dois entes distintos, cujos resultados de suas produções possuíam valores diferentes, e onde os músicos, numa visão macro, possuíam similaridade àqueles primeiros. Essa “imitação” era chamada pelos filósofos gregos de mimese.

Para Platão, só havia dois atos miméticos fundamentais: a imitação realizada primeiramente por Demiurgo e a chamada imitação moral. Em sua concepção, o pintor e o escultor imitavam as coisas já copiadas da “realidade perfeita” por Demiurgo, daí dizer­se que seus resultados seriam um “cópia da cópia”.

Bem mais tarde na história, Kant gera os impulsos que resultaram no progresso da estética, admitindo, através da sua Crítica do Juízo, três modalidades de experiência: a cognoscitiva, a prática e a estética, cujo objeto é o belo. Para ele, assim como os poetas de Platão, os gênios de sua época, indivíduos de extraordinário potencial intelectual e de elevada capacidade mental criadora, eram seres humanos especiais, pois tinham o poder da razão.

Assim, como analogia existente entre o “poeta” de Platão e o “gênio” de Kant – qual a hodierna discussão entre “Arte vs. Ciência” – podemos ver exatamente o caráter de peculiaridade ou singularidade que estes indivíduos tinham em seus respectivos tempos e culturas, designando­os seres humanos mais elevados – distantes temporalmente contudo simbioticamente unidos no nosso contexto, como exortado por Kiefer.

PorJoão Ademar de Andrade Lima

Olá mundo!

Tudo bem?

O educo.work® (domínio e marca registrada) é também o nome de fantasia de uma MEI que idealizei nos meados de 2019, via ações de estímulo ao empreendedorismo inovador engendradas no InovaLAB da Unifacisa, Centro Universitário no qual tenho o maior orgulho de trabalhar desde 2004.

Gestada exatamente em 1º de janeiro deste excêntrico (para ser suave) ano de 2020, inicialmente com a intenção de ser um espaço físico de trabalho docente colaborativo (daí a expressão que deu origem à marca, “educação+coworking”) se viu, por força da pandemia do Covid-19 e todas as mudanças disruptivas que ela tão só antecipou, ressignificada antes mesmo de vir a existir de fato, ainda que em permanência de seu ideal (ou, até mais, sua “missão”): a prática do Empreendedorismo Social na área de Educação! Diria mais: é, sim, um desdobramento de outra ação minha de “Gift Economy”, também nomeada de “Economia do Dom”, “Economia da Doação” ou “Economia da Dádiva”, o programa de mentoria nomeado Pró-Docência, ainda em atividade.

Bem… quase um ano depois, não se transformou na sonhada “sala de professores” imaginada, mas (é possível dizer) em algo até mais simbólico (mais acessível, sem dúvida!), resumido neste blog, um espaço acadêmico para colunistas e publicações nas caregorias: Crônicas, Ensaios, Entrevistas, Eventos, Filmes, Informes, Livros, Notícias, Poesia, Resenhas e Tutoriais.

Por isso o convite: vem participar conosco! Fala com a gente! Vamos construir juntos!

Tudo Copyleft… Ubuntu!!!