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PorFábio Emerenciano

Os Jogos Olímpicos e a Nossa Educação

Estamos vivendo mais uma edição de Jogos Olímpicos e, mais uma vez, lamentamos ao ver o Brasil lá atrás em comparação com outros países. No momento que escrevo este artigo, temos uma única medalha de outro, três de prata e três de bronze. Anos-luz no nossa frente, China, Japão, EUA e Rússia. São na verdade, neste momento, 18 nações a nossa frente.

A cada quadro anos vem aquela velha pergunta “o que fazer para subir nessa corrida por pódios?”, “por que o Brasil não chega nem perto destas grandes potências?”, “o que eles fazem, que nós não fazemos?”. Pois é, passam os anos e as perguntas continuam aí, sem resposta. Ainda mais quando vemos grandes esportistas brasileiros extremamente respeitados mundo afora. Ou seja, material humano temos, e de sobra. O que falta, então?

A resposta mais comum é que não temos investimento por parte do governo federal. Bem, não deixa de ser. Mas, além de não querer entrar aqui em debate político, acho que tem um problema bem mais profundo do que a deficiência financeira: a falta de uma melhor estrutura esportiva.

Tomemos como exemplo os Estados Unidos, donos de assustadoras 2523 medalhas olímpicas na história, sendo impressionantes 1022 de ouro. Um sonho para nós. E como é que eles conseguem isso?

É que por lá existem ligas colegiais e universitárias, com as mais variadas modalidades esportivas. E essas competições não são brincadeira, não. Na maioria dos casos são competições sérias, bem organizadas e que ocorrem em ótimas quadras, campos, pistas, tatames e piscinas. Trata-se, portanto, de solo bastante fértil para a aparecimento de grandes atletas, das mais diferentes idades e nas mais diversas regiões do enorme país. Ou seja, o esporte lá é parte da Educação.

Na cabeça dos americanos, quase tão importante quanto as salas de aulas e os laboratórios, está a existência de uma boa infraestrutura para a prática de esporte. E não é só aquela coisa de “o que vale é bater uma bolinha”. Na Terra do Tio Sam há a cultura da vitória, da quebra de recordes e do sucesso nas competições entre colégios e entre universidades. Faz parte do marketing de uma instituição ter pelo menos um bom time com projeção, nem que seja apenas municipal. “Escola tal tem tradição em tal esporte”, se diz por lá. E isso vale como marca de qualidade da Educação.

Tendo amplo acesso a uma boa organização física para a prática esportiva e a experiência de várias competições em bom nível técnico, os jovens dos EUA têm uma grande formação dentro do esporte. Com essa qualidade ofertada em grandíssima quantidade, o comitê olímpico americano não tem dificuldade nenhuma de encontrar grandes atletas. E o resultados é visto nos Jogos Olímpicos.

Esporte e Educação são parceiros. Investir em esporte é melhorar a Educação. Investir na Educação é melhorar nosso esporte.

PorFábio Emerenciano

O Brasil ainda não fala inglês

Não há dúvidas que o inglês é uma língua universal e que aprendê-lo é quase uma obrigação para quem tem pretensões no exterior ou pensa em uma carreira acadêmica mais sólida. No Brasil a demanda por aulas de inglês é tão grande que até mesmo cidades medianas têm cursos de inglês. Além disso, há cursos de extensão nas universidades e já são – ou somos – muitos os professores que se dedicam às aulas particulares. Isso tudo para não citar as centenas de vídeos no YouTube e sites dedicados ao ensino da língua de Shakespeare. E o melhor, muita coisa na internet é totalmente gratuita!
Mas eis que em 2019 o Conselho Britânico fez um levantamento e chegou à assustadora conclusão de que apenas 5% dos brasileiros conseguem se comunicar fluentemente em inglês. Ou seja, mesmo com tantos recursos disponíveis, o patamar de falante da língua inglesa no Brasil ainda é ocupado por pouquíssimas pessoas. Aliás, no estudo citado, o Brasil ficou atrás de Vietnã, Costa Rica e Lituânia, países com economia bem inferior à nossa e, no caso da Lituânia, uma nação que há poucas décadas vivia no Comunismo e na sua oposição ao mundo capitalista ocidental.
O estudo também apresenta algumas razões que podem explicar esses números tão ruins no Brasil. A primeira seriam as poucas horas que as escolas brasileiras se dedicam ao ensino de inglês. Na maioria dos casos são apenas duas aulas semanais, muitas vezes aulas de menos de uma hora cada. Assim, numa semana, se estuda de uma hora e quarenta a duas horas a cada sete dias, apenas. Num mês, os alunos não passam de meras oito horas expostos ao inglês. De fato, muito pouco para se aprender.
Recentemente em uma conversa com uma colega professora de inglês no interior da Dinamarca, fiquei sabendo que, por lá, os alunos têm pelo menos 6 horas semanais de inglês. E mais, desde os seis anos de idade, às vezes até mais cedo, os alunos dinamarqueses já assistem aulas dadas totalmente em inglês. Que diferença, hein? Num mês, fazendo contas bem simples, os pequenos dinamarqueses têm uma carga de 24 horas ouvindo, falando, lendo e escrevendo inglês.
Outro fator preocupante é que, segundo o estudo, foi realizado um teste de proficiência com mais 37 mil brasileiros que se diziam fluentes em inglês. E o resultado foi bem ruim. De todos os testados, apenas 36%, um pouco mais de 13 mil, fora bem o suficiente para comprovar a fluência.
O levantamento ainda aponta que funcionários brasileiros de empresas multinacionais instaladas no país também estão longe de dominar o inglês. A nota média dos 13 mil testados foi de menos de 2,5 de um total de 10. Este resultado coloca o Brasil numa péssima 67ª posição no mundo neste quesito.
Números como estes só provam que o Brasil há décadas tem deixado de prover uma Educação de qualidade a seus cidadãos. Um país com a importância do Brasil não pode ficar em posições tão baixas na comparação com outras nações, ainda mais no ensino e aprendizado de um idioma relativamente simples – e extremamente importante – como o inglês.
Mas o que se pode fazer?
A primeira coisa é garantir que as escolas ensinem, com eficiência, pelo menos uma noção básica do idioma. E por noção básica deve-se entender a capacidade de se expressar, de maneira oral e escrita, sobre si próprio e falar sobre rotina e descrever preferências, respeitando a gramática e desenvolvendo um vocabulário razoável. Deve-se ter, ainda que de maneira superficial, conhecimento de tempos verbais como presente, passado e futuro; além de compreender, ainda que com falhas, um texto simples.

PorFábio Emerenciano

Os melhores canais do YouTube para estudar inglês

English with Lucy – 6 milhões de inscritos e 215 vídeos

Este é, sem dúvida, um dos melhores canais do YouTube para se aprender inglês. É destinado a alunos com nível entre intermediário e avançado e é marcado pelo forte sotaque britânico de sua apresentadora.

Em termos de vocabulário, vários de seus vídeos baseiam-se em palavras mais avançadas, ligadas à situações e temas específicos. Vale a pena olhar o índice de vídeos, cujos temas são sempre bem explicitados nos títulos.

Em relação à gramática, Lucy fala desde coisas mais comuns, como preposições e tempos verbais, até dicas para reverter alguns errinhos cometidos por estrangeiros.

Outro aspecto bem interessante do canal são os vídeos sobre o que não fazer numa conversação. Nessas lições a professora recomenda a substituição de várias expressões amplamente usadas por não nativos por frases bem mais alinhadas com o que se diz no Reino Unido.

MMMEnglish – 4 milhões de inscritos e 228 vídeos

Este canal é feito pela simpática Emma, uma professora australiana que traz uma grande gama de vídeos com lições bem interessante. Assim como Lucy, Emma fala dos mais diversos aspectos da língua inglesa, como pronúncia, gramática, vocabulário e ainda dá dicas para a conversação. Há também alguns vídeos onde ela, literalmente, põe a mão na massa e cozinha, explicando vocabulário e expressões relacionadas à culinária. Vejam os vídeos sobre a vida e rotina de Emma, que deixam MmmEnglish bem divertido.

Rachel’s English – 3,5 milhões de inscritos e 800 vídeos

Este canal é bem técnico, com Rachel se prendendo a detalhes da pronúncia da língua inglesa. Seu foco é o inglês americano e suas dicas são excelentes para quem deseja falar da forma mais parecida com a do nativo. Rachel traz dicas bem importantes e mostra ilustrações de formação labial, posicionamento da língua e explica passagens e bloqueios de ar, aspectos que são essenciais para o entendimento da pronúncia.

Papa Teach Me – 1,5 milhões de inscritos e 400 vídeos.

Este é o canal do divertido Ally, professor londrino que traz excelentes lições sobre pronúncia, conversação e gramática. Ally faz personagens, desenha, muda a voz, enfim, dá mesmo uma de ator. Suas lições são bem diversificadas e o aprendizado é bem eficiente.

Recomendo sua série de vídeos sobre o Present Perfect, tempo verbal que aterroriza boa parte dos brasileiros.  São cinco lições rápidas, mas bem montadas, que certamente vão dar ao aluno uma excelente ideia de como o as frases funcionam.

Recomendo também o vídeo onde Ally fala sobre a pronúncia do Cockney, um sotaque bem presente em Londres.

Engvid

Este é um canal espetacular tanto pelo conteúdo, como pela quantidade de vídeos e de professores que seguem a linha dos canais já citados, com as mais diversas dicas sobre vocabulário, pronúncia, gramática e conversação. Os professores canadenses Adam, Emma e Ronnie são muito bons. Esta última é engraçada e, entre outras coisas, gosta de trabalhar palavras específicas, sempre com exemplos cômicos. Os outros dois trabalham bastante a gramática e têm didáticas eficientes e exemplos fáceis de entender. Os ingleses Benjamin e Jade também tem lições bem importantes, sendo essa última adepta de assuntos mais avançados ligados à pronúncia.

Completam o time outros ótimos professores como Rebecca – que tem um longo vídeo relacionado ao vocabulário do CovidGill, James, Alex e Jon.

Como cada professor tem dezenas de vídeos, o Engvid acaba sendo muitos canais em um. Tanto que cada teacher tem sua própria página que pode ser assinada separadamente. Escolha o seu favorito – eu assino todos – e aproveite.

Learn English with TV series – 4 milhões de inscritos e 400 vídeos.

Este aqui é um canal bem interessante, já que as lições são ilustradas com trechos de séries da TV americana. Assim, assinar este canal é uma maneira de aprender inglês e ainda rever partes de Friends e de outros sucessos dos últimos dez ou vinte anos.

Os temas são geralmente explicados por um professor e os exemplos são dados com trechos dos episódios. O problema é que os segmentos retirados das séries às vezes são falados de maneira bem rápida, o que pode confundir alunos iniciantes.

O bom do canal é que no fim das lições há testes e, no site oficial, há exercícios que podem ser impressos. E se esse canal for usado nas aulas com o seu professor particular, você ainda tem alguém para tirar dúvidas. Vale bastante a pena.

Lingua Marina – 3,6 milhões de inscritos e 300 vídeos.

Marina é uma russa que migrou para os Estados Unidos e hoje fala um inglês excelente. É bem legal ver os vídeos e ouvir seus testemunhos do esforço que fez para aprender o novo idioma, servindo, pois, de grande exemplo e estímulo para aqueles que buscam a fluência. A YouTuber é simpática e cobre os mais diversos aspectos do inglês. No canal há uma série de vídeo com vocabulários específicos para o mundo dos negócios Vale a pena.

Outros canais bem legais

English Class 101, BBC Learn English, Canguru English, English with Max, Easy English, Learn English Online, English Speeches, Jennifer ESL

Páginas com dicas de canais

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PorFábio Emerenciano

A impressionante história da língua inglesa

Que a língua inglesa é a mais importante do mundo, pelo menos em termos de ciências, literatura, comunicação, negócios e Educação, não temos dúvida nenhuma. Tanto que, mesmo não sendo a mais falada no planeta em número de nativos – mandarim e espanhol são à frente do inglês neste quesito – o inglês é a língua, segundo o Science Citation Index, de 95% dos artigos científicos escritos pelo mundo. E só metade deles têm origem em países cuja população fala inglês como primeira língua. Na Literatura, 28% dos livros publicados estão em inglês. Na marinha e na aeronáutica, o inglês é a língua usada em esfera mundial. Especialistas ainda afirmam que dois terços das correspondências de hoje em dia estão em inglês. Nos negócios, mais de 90% das pessoas afirmam que usam o inglês quando querem comprar e vender com pessoas de outros países. Na Educação, a QS World University Rankings afirma que das 50 melhores universidades do mundo, 33 estão em países que têm o inglês como primeira língua. Das outras 17, 11 estão em lugares como Alemanha, Hong Kong, Suíça, Coreia do Sul e Cingapura, onde o estudante estrangeiro não teria problemas de se comunicar em inglês.

Mas o presente texto não pretende olhar nem para o presente, nem para o futuro do inglês. A ideia aqui é olhar para trás, ainda que de maneira bem superficial, para entender como esta língua chegou à sua forma e à sua importância atuais.

Tudo começou há cerca de 1500 anos e os linguistas em geral dividem o inglês em Old English (Inglês Antigo), Middle English (Inglês Médio) e Modern English (Inglês Moderno). O Inglês Antigo data do longínquo período entre os séculos V e XI. Não são tantos os registros linguísticos desta época, mas o poema “Bewulf” é um conhecido marco. Quem já leu a obra, como eu o fiz nos tempos de faculdade, sabe como o inglês daquela época era distinto do que conhecemos hoje. Na verdade, em muitos momentos, nem parece inglês, o que complica a compreensão da leitura. Mas já era inglês.

Mas de onde veio a língua? Impossível não recorrer à História para entendermos tal gênesis. Tudo começou por volta do século no século V, quando tribos germânicas vindas do continente europeu invadiram a ilha da Grã Bretanha – que hoje abriga Inglaterra, Escócia e País de Gales – e lá se fixaram, forçando seus antigos habitantes a se refugiarem em outras regiões da ilha, como a costa oeste e Terras Altas do norte, as Highlands.

Os invasores eram os Anglos, os Saxões e, em menor número, os Jutos. Há ainda vestígios, mas às vezes contestados, de um outro povo colonizando área da Grã-Bretanha naqueles tempos, os frísios. Mas foram mesmo os Saxões e, principalmente, os Anglos que ocuparam as maiores áreas da terra conquistada. Tanto que o local passou a ser conhecido como “Angle Land”, ou Terra dos Anglos. Mais tarde o nome virou “England”, traduzido em português como Inglaterra. O idioma por eles falado foi então denominado de English, e mais tarde classificado como o Old English que citamos acima. Daqueles tempos ficaram no inglês atual dezenas de palavras, entre elas “after”, “bird”, “house” e “work”.

No final do século VI, missionários cristãos chegaram à ilha e, da convivência com os habitantes do local, surgiu uma importante influência do Latim no inglês, que deu ao idioma palavras relacionadas ao Ensino e à Religião como “campus”, “focus”, “minister” e “school”.

Por volta século X, a Grã Bretanha foi invadida por tribos bárbaras do norte europeu e deste período sugiram palavras como “egg”, “husband”, “take” e “sky”. Essa influência foi uma espécie de reaproximação do idioma como suas origens, já que anglos e saxões tinham origem semelhante a dos bárbaros invasores.

A partir do ano de 1066, depois de uma violenta batalha travada em Hastings, que por sinal é a cidade onde estudei na Inglaterra, os Normandos passaram a dominar a Grã Bretanha. Deste período surgiram muitas palavras ligadas à administração pública, ao Direito e à culinária. Quem fala francês logo se identifica com “beef”, “court”, “diplomacy” e “soup”. Esta influência francesa, somada a anterior aproximação com o latim, transformam o inglês, inaugurando o que hoje se denomina de Middle English.

A Renascença dos séculos XV e XVI reforçou a influência do francês e foi responsável por uma segunda onda de aproximação do Latim. Além disso, o período também foi marcado pela presença da língua grega e desta mistura surgiram palavras como “physics”, “architecture”, “educate” e “history”.  

Nesta época houve a ainda a “Grande Mudança Vocálica” no inglês, o que transformou tremendamente a pronúncia da língua. Para muitos especialistas, este foi a pedra fundamental do Inglês Moderno. Foi também um período de valorização da língua inglesa, e a produção literária aumentou consideravelmente no idioma. Para termos uma ideia, foi neste início de Inglês Moderno que surgiram escritores como Shakespeare.

Outro fator que levou à maior importância da língua foi a expansão do Império Britânico, que levou a influência do inglês para os quatro cantos do mundo, incluindo Índia, várias localidades da África, Oceania e uma grande massa territorial do continente americano.

Se por um lado a época levou o idioma para fronteira cada mais distantes, também foi um período que testemunhou o inglês adquirindo influências dos novos falantes e adicionando novos sotaques e entonações, além de incorporar uma enorme gama de palavras novas.   

Além de tudo isso que já vimos, sabemos que o século 20 viu um grande crescimento político, econômico e militar dos Estados Unidos, antiga colônia britânica. E nesta esteira veio um grande expansionismo da cultura americana, que espalhou pelo planeta a ciência, a música, o cinema e o jeito americano de viver e de falar. Foi um grande impulso para a língua inglesa se fixar de vez como o idioma mais usado do mundo.

Como vimos, são 15 séculos de mutação e expansão do inglês que transformaram aquele idioma complicado em algo simples, bom de aprender e tão importante de saber.

Links:
The World’s Top 100 Universities | Top Universities

AAASTALK – Mapping The World Of Science (upenn.edu)

PorFábio Emerenciano

Aprendendo Inglês – Por que é tão difícil entender um nativo?

Uma das maiores angústias do aprendiz de inglês é a dificuldade em entender um nativo falando. E não é para menos. Por mais que estudemos uma língua estrangeira, parece que o abismo entre o que aprendemos e o nível dos nativos é intransponível. Mas não é bem assim. Há uma série de tarefas que podem e devem ser feitas além da sala de aula, e tais medidas dão resultados excelentes.

Primeiro, o que devemos ter em mente é que, para entender um nativo, precisamos ouvir… nativos. É extremamente importante que nos exponhamos ao jeito que a língua alvo é falada por aqueles que nascem e vivem com ela. E como fazer isso?

VEJAM FILMES E SÉRIES

Filmes e séries são material de muito valor, já que os atores fazem justamente aquilo que o estudante mais quer: falam fluentemente. Assim, é preciso ver filmes / episódios todos os dias. Se não houver tempo para isso, que vejam trechos, uns 15 minutos que sejam, apenas para expor seus ouvidos à vozes nativas. Escolha filmes e séries (ou trechos deles) com bastante diálogos. No início, não há problema que as legendas estejam em português. Mas o áudio, em nenhuma hipótese, pode ser dublado. Vejam sempre com o som original.

Prestem atenção nas frases, por mais simples que sejam. Imitem pronúncia, entonação. Repitam o trecho, se for o caso. Façam anotações quanto às sílabas tônicas, quando estas forem muito diferentes do que vocês imaginavam. Por exemplo, palavras como “assistant” e “police” são faladas com as sílabas tônicas em SSIS e LI, e não no TANT e PO, como muita gente acha. “Vegetables” e “comfortable” também embaralham a cabeça de muita gente, pois o segundo “e” da primeira e o segundo “o” da segunda são simplesmente ignorados pelos nativos.

Também é bom prestar atenção em gírias e expressões típicas da língua fluente. Anotem, memorizem e tentem usá-las nas suas falas. Consultem seu professor quando houver dúvidas. Sempre digo a meus alunos que dúvidas são dívidas e, portanto, não podem acumular.

OUÇAM MÚSICAS

Ouvir música é algo extremamente importante. É bem verdade que algumas frases podem ser adulteradas e várias pronúncias são mudadas na cara dura, só para caber na melodia. Mas, ainda assim, ouvir os cantores prestando atenção na pronúncia, na construção frasal e no uso de vocabulário é de grande auxílio para o aprendizado linguístico e desenvolvimento da compreensão oral.

Um bom exercício é ouvir a música sem ler a letra. Anotem as palavras que entenderem. Depois, peguem a letra e confiram suas listas. Daí, peguem as letras e ouçam a música mais vezes. Cantem junto, imitem a pronúncia, anotem vocabulário. Usem as novas palavras e construções nas suas aulas.

VEJAM ENTREVISTAS

Na era do YouTube, vejam entrevistas. Procurem por alguma celebridade que vocês acompanhem. Se vocês estiverem em um nível mais avançado, retirem as legendas, tentem entender, façam inferências, contextualizem. Depois, confiram as legendas.

PROCUREM UM PARCEIRO DE CONVERSAS

Se tiverem que amigos que falem inglês, marquem conversas. Proíbam o uso do português e tentem falar no nível mais alto que puderem. Mudem de assunto, variem o vocabulário, usem as expressões aprendidas nas atividades acima. Vocês e seus amigos não são nativos, mas, quanto mais falarem, mas se acostumarão com a língua falada.

Como vemos, são hábitos simples que nos levam a uma maior capacidade de compreensão oral. Organizem os tempos livres, façam um plano de estudo e eu tenho certeza que os resultados serão excelentes.

PorFábio Emerenciano

Filosofia e Educação ou Filosofia é Educação?

Antes de resolvermos a questão acima, pensemos: “O que é a Filosofia? ”. Bem, não intencionamos aqui debater todas as possíveis definições do pensamento filosófico, o que daria um texto longo e provavelmente impreciso, mas façamos a pergunta acima apenas para para termos em mente um opinião, por mais vaga que seja, do que entendemos por Filosofia.

Para nos ajudar na elaboração de nosso próprios conceito, proponho uma viagem no tempo até a Atenas de três séculos antes de Cristo. É que parece ilógica qualquer reflexão sobre a Filosofia sem uma referência a aquele que, embora não tenha sido o primeiro filósofo da Humanidade,, é considerado o pai da Filosofia, pelo menos no mundo ocidental: Sócrates. E o que fazia ele?

Bem, o chamado método socrático consistia em debates protagonizados por Sócrates e aqueles que eram chamados de sábio e detentores do conhecimento. É que o filósofo adora confrontar ideias, para assim, segundo ele, se chegar a verdade ou pelo menos desenvolver um conhecimento. Para ele, ninguém era dono da verdade e muitos que diziam conhecer a verdade poderiam, no fim das contas, ter muitas definições imprecisas ou completamente falsas. O que ele pretendia era, através de questionamentos, provar que ninguém era assim tão esperto como se dizia ser.

Levando o comportamento do chamado pai da Filosofia em consideração, podemos dizer que a Filosofia tem o questionamento em seu DNA. Ou seja, a busca pela verdade passa inevitavelmente pelo questionamento e pelos debates.

Mesmo avançando mais de dois milênios no tempo, notamos que o Homem de hoje continua buscando seus conhecimentos e verdades. Ao longo de todo este tempo acumulamos informações mas ainda nos perguntamos: “Como se chega à verdade?”.

Bem, o simples fato de nos inquietarmos com esta questão já prova que demos o primeiro passo, que é o questionamento. Mas o que fazer a partir daí? Como já temos um mundo acadêmico estruturado em pelo menos 23 séculos de estudos, e um cânone mais ou menos estabilizado, a resposta mais clara e óbvia para a pergunta seria: pela Educação.

Ótimo! Já temos a pergunta e uma resposta. Questão resolvida, certo? Vamos para a Escola, buscamos a instrução e todas as nossas dúvidas estão esclarecida. Chegamos ao conhecimento perfeito e a Humanidade caminha a passos largos para à verdade. Encerremos nossa reflexão e vamos nos divertir das redes sociais. Será? Julgarmos a questão como resolvida não seria matar o questionamento?

Mesmo aceitação que a Educação é o caminho certo, precisamos questionar como ele é seguido. É aí que entra a Filosofia, pois ela vai pensar na forma de fazer esta trajetória é feita, pois é este jeito de pensar que nos ajuda nas reflexões e nas perguntas necessárias para qualquer construção de conhecimento.

Questionar seria negar tudo o que já foi definido verdade? É claro que não, até porque questionar não é necessariamente negar. A Filosofia levanta hipóteses ou simplesmente chama para a importância de opiniões diferentes. Voltando aos gregos antigos, sabemos que suas vidas pré-pensamento filosófico eram regidas pela Mitologia, ou seja, o homem e o mundo explicados por mitos passados de geração e geração por narrativas, sem abertura para dúvidas e questionamentos. Aí veio a coragem de gente como Sócrates, Platão, Aristóteles e tantos outros que, através de reflexões e inquietações construíram uma nova maneira de tudo que os cercava. Foi esta nova atitude que abriu os olhos dos homens para a lógica e que libertaram os pensamentos, impulsionando comportamentos fora do escopo mitológico. A Filosofia foi, portanto, o elemento perturbador que mudou olhares e que levou à Grécia a ganhar um lugar de destaque na história da Humanidade.

Ter a liberdade para fazer perguntas e pensar é, portanto, um ato filosófico. Somos todos, em maior ou menor medida, filósofos em potencial. Podemos olhar para o mundo com alegria e satisfação, mas nunca com resignação. Se algo não parece bom, se alguma coisa nos parece fora do lugar ou se temos uma sensação que podemos melhorar, que tal opinião seja respeitada. E que o debate seja feito, pois é deste confronto de ideia que atingimos a maturidade nos mais diferentes campos.

Sabemos que existem muitas coisas provadas e aceitas como verdade, como fórmulas matemáticas, reações químicas, forças da Natureza, datas históricas e regras gramaticais. E há também muitos princípios regidos pelo bom senso que não precisam de grandes mudanças, como certos comportamentos e compromissos sociais e respeito às diferenças. Mas há também uma gama de fatores que podem ser confrontados. Assim, ainda há muitos desafios a serem lançados. E é aí que o Filosofia ganha forma.

Voltando à Educação, sabemos que, por mais ela tenha evoluído, há ainda alguns pilares que parecem beirar o sagrado, tamanha é a resistência de alguns a questioná-los. Muitas ideias e autores consagrados parecem intocáveis e, dependendo do debate, qualquer dúvida ou questionamento a seus ensinamentos é tratado como uma ofensa que beira à heresia. Ora, além de ser um ato antifilosófico ainda cai na frase de Nélson Rodrigues, que dizia que toda unanimidade é burra.

Nem sempre a mudança é necessária, mas a reflexão sobre o mundo, o é. Temos mazelas e muitas melhorias a serem feitas, pois diferentes visões e levam à novas práticas. E novas medidas impedem que vivamos na estagnação. Já dizia Einstein: “como esperar resultados diferentes se fazemos sempre as mesmas coisas?”

Assim podemos considerar Educação e Filosofia andam de mãos dadas, apontando para o mesmo caminho. Ou podemos dizer que Filosofia é ou que Educação é Filosofia. Tanto faz. O importante é buscar entender o mundo por meio da observação, reflexão, argumentação e respeito, sem medo de mudanças.

PorFábio Emerenciano

Os problemas do aprendizado acelerado do inglês ou como não cair em falsas promessas de fluência em poucos meses

No mundo digital, onde tudo é prático e rápido, a oferta de dicas e segredos que acelerem a conquista de objetivos é uma prática comum, nas navegações pelo mundo virtual nos deparamos com anúncios que prometem perda de peso em poucas semanas e soluções mágicas para curar doenças com simples passos diários. E o melhor: gastando pouco dinheiro.

Tais atalhos também têm chegado àqueles que pretendem aprender uma língua estrangeira, geralmente o inglês. São inúmeros os sites que oferecem dicas infalíveis para a aquisição da língua alvo em poucos meses, e com fluência assegurada.

Antes de aprovar ou condenar tais possibilidades, é preciso ter em mente que, de fato, cada pessoa aprende de formas diferentes e em prazo distinto. Há, realmente, aqueles que necessitam de um curso regular que dure anos, e há aqueles que, sozinhos, se desenvolvem muito bem num idioma estrangeiro em um período reduzido.

Como funcionam os cursos que prometem resultados imediatos? Não cabe a este artigo esmiuçar tais procedimentos, mas é possível destacar que eles normalmente demonizam a gramática, afirmando que as normas da língua são enfadonhas e que atrasam a “aquisição real” da língua alvo. É mais ou menos como dizer que não precisamos aprender a formalidade linguística para nos comunicarmos com os nativos. Segundo esse preceito, o importante é aprender “apenas o necessário”, ou seja, somente aquilo que vai servir para a interação com nativos da língua inglesa. Assim, em geral, as aulas focam em situações específicas e são dadas aos alunos frases e estruturas prontas que servem especificamente para conversas em restaurantes, hotéis, aeroportos e informações rápidas como que direção tomar na rua ou saber sobre clima. 

O problema é que tais tópicos resultam numa grande limitação quanto à comunicação dita fluente. O conceito básico da fluência, segundo o Michaelis Online é: “Característica daquilo que é espontâneo, natural; espontaneidade, fluidez”, ou seja, ser fluente é falar o idioma com facilidade, naturalidade, sem um roteiro pré-definido. O site Exam English, especializado em exercícios de preparação para provas de proficiência em língua inglesa, define o nível linguístico C1, o avançado, como “a habilidade de lidar com tópicos com os quais o falante não esteja familiarizado”. Fica claro que ser fluente num idioma estrangeiro não é apenas se comunicar em situações específicas, mas ter a habilidade de lidar com situações inesperadas sem que haja danos à comunicação.

É preciso saber, portanto, que nem sempre um interlocutor dará respostas conforme o esperado, razão por que são necessários um conhecimento linguístico sólido e um vocabulário mais complexo, condições indispensáveis para uma comunicação clara. O Preply diz que o falante de nível avançado “se expressa fluentemente quase que em qualquer situação, sem a necessidade de se recorrer às expressões”. Entendemos que o falante fluente se comunica bem sem precisar lançar mãos de frases prontas, previamente memorizadas.

O aprendizado real vai muito além do mero ensaio de situações específicas e da memorização de perguntas e respostas selecionadas previamente. Chegar ao nível de confiança plena numa língua estrangeira é lidar com questões do dia-a-dia, resolver problemas, conversar sobre assuntos inesperados e interagir com diferentes mídias (sites, chats, jornais, livros, rádios, TVs…), entre outros.

Outro ponto importantíssimo a ser considerado quando estudamos outro idioma: o sotaque, um aspecto geralmente ignorado nestas promessas de aprendizado rápido, o que leva o aluno a entender que repetir o que é dito, imitar a pronúncia apresentada, leva a excelência da expressão oral.

A forma de falar varia bastante entre regiões e tem papel fundamental na comunicação. É natural que tenhamos preferência e / ou facilidade para determinada maneira de expressão, mas estamos sempre sujeitos a nos deparar com interlocutores de diferentes países e cidades, com características marcantes no jeito de falar. E como ignorar isso?

O canal de YouTube Oxford Online English tem vários vídeos que levantam a necessidade de ouvirmos “diferentes vozes”, ou seja, diferentes pessoas se expressando oralmente das mais distintas formas. A perfeita compreensão de todos os sotaques é praticamente impossível para um não nativo, entretanto, quanto maior a convivência com a diversidade, maior a habilidade de expressão e de compreensão da língua alvo.

A imersão cultural é outro fator de suma importância para a aquisição real do idioma pretendido. A história, a geografia, a música, o cinema, a TV, a culinária, e o esporte, entre outros, nos ajudam a entender tópicos de conversação, vocabulário, gírias e sotaques, o que melhora sensivelmente nossa capacidade de manter uma conversa eficiente que, como já vimos, é algo fácil, espontâneo e fluído, sem as amarras da memorização e do limitado vocabulário.

“se baseia na ideia de que o exitoso aprendizado de uma língua vem da necessidade de comunicar o sentido real. Na Abordagem Comunicativa o objetivo principal é apresentar um tópico em um contexto o mais natural possível”. Tal definição só corrobora com a ideia que o falante precisa estar preparado para a comunicação e para discussões que sejam necessárias. E numa situação assim, os argumentos precisam ser eficientes e espontâneos.

Não há nada de errado em se buscar e em se oferecer um aprendizado mais rápido e com aulas e avaliações mais práticas; e também é importante que se simule, nas aulas, conversas e situações corriqueiras. Mas é necessário que os critérios aqui explanados sejam observados. A excelência do ensino e do aprendizado não reside na duração dos cursos, mas em como eles são montados e ministrados. Se a instituição ou professor particular oferece vocabulário formal e informal, estrutura e prática de gramática eficientes, imersão cultural e distintos sotaques, o aluno está diante de uma grande oportunidade de aprendizado real. E a partir daí, montando, junto com o educador, um programa de estudo e prática da língua, o aprendiz poderá aproveitar os benefícios de ter um amplo conhecimento da língua estrangeira.