Filosofia e Educação ou Filosofia é Educação?

PorFábio Emerenciano

Filosofia e Educação ou Filosofia é Educação?

Antes de resolvermos a questão acima, pensemos: “O que é a Filosofia? ”. Bem, não intencionamos aqui debater todas as possíveis definições do pensamento filosófico, o que daria um texto longo e provavelmente impreciso, mas façamos a pergunta acima apenas para para termos em mente um opinião, por mais vaga que seja, do que entendemos por Filosofia.

Para nos ajudar na elaboração de nosso próprios conceito, proponho uma viagem no tempo até a Atenas de três séculos antes de Cristo. É que parece ilógica qualquer reflexão sobre a Filosofia sem uma referência a aquele que, embora não tenha sido o primeiro filósofo da Humanidade,, é considerado o pai da Filosofia, pelo menos no mundo ocidental: Sócrates. E o que fazia ele?

Bem, o chamado método socrático consistia em debates protagonizados por Sócrates e aqueles que eram chamados de sábio e detentores do conhecimento. É que o filósofo adora confrontar ideias, para assim, segundo ele, se chegar a verdade ou pelo menos desenvolver um conhecimento. Para ele, ninguém era dono da verdade e muitos que diziam conhecer a verdade poderiam, no fim das contas, ter muitas definições imprecisas ou completamente falsas. O que ele pretendia era, através de questionamentos, provar que ninguém era assim tão esperto como se dizia ser.

Levando o comportamento do chamado pai da Filosofia em consideração, podemos dizer que a Filosofia tem o questionamento em seu DNA. Ou seja, a busca pela verdade passa inevitavelmente pelo questionamento e pelos debates.

Mesmo avançando mais de dois milênios no tempo, notamos que o Homem de hoje continua buscando seus conhecimentos e verdades. Ao longo de todo este tempo acumulamos informações mas ainda nos perguntamos: “Como se chega à verdade?”.

Bem, o simples fato de nos inquietarmos com esta questão já prova que demos o primeiro passo, que é o questionamento. Mas o que fazer a partir daí? Como já temos um mundo acadêmico estruturado em pelo menos 23 séculos de estudos, e um cânone mais ou menos estabilizado, a resposta mais clara e óbvia para a pergunta seria: pela Educação.

Ótimo! Já temos a pergunta e uma resposta. Questão resolvida, certo? Vamos para a Escola, buscamos a instrução e todas as nossas dúvidas estão esclarecida. Chegamos ao conhecimento perfeito e a Humanidade caminha a passos largos para à verdade. Encerremos nossa reflexão e vamos nos divertir das redes sociais. Será? Julgarmos a questão como resolvida não seria matar o questionamento?

Mesmo aceitação que a Educação é o caminho certo, precisamos questionar como ele é seguido. É aí que entra a Filosofia, pois ela vai pensar na forma de fazer esta trajetória é feita, pois é este jeito de pensar que nos ajuda nas reflexões e nas perguntas necessárias para qualquer construção de conhecimento.

Questionar seria negar tudo o que já foi definido verdade? É claro que não, até porque questionar não é necessariamente negar. A Filosofia levanta hipóteses ou simplesmente chama para a importância de opiniões diferentes. Voltando aos gregos antigos, sabemos que suas vidas pré-pensamento filosófico eram regidas pela Mitologia, ou seja, o homem e o mundo explicados por mitos passados de geração e geração por narrativas, sem abertura para dúvidas e questionamentos. Aí veio a coragem de gente como Sócrates, Platão, Aristóteles e tantos outros que, através de reflexões e inquietações construíram uma nova maneira de tudo que os cercava. Foi esta nova atitude que abriu os olhos dos homens para a lógica e que libertaram os pensamentos, impulsionando comportamentos fora do escopo mitológico. A Filosofia foi, portanto, o elemento perturbador que mudou olhares e que levou à Grécia a ganhar um lugar de destaque na história da Humanidade.

Ter a liberdade para fazer perguntas e pensar é, portanto, um ato filosófico. Somos todos, em maior ou menor medida, filósofos em potencial. Podemos olhar para o mundo com alegria e satisfação, mas nunca com resignação. Se algo não parece bom, se alguma coisa nos parece fora do lugar ou se temos uma sensação que podemos melhorar, que tal opinião seja respeitada. E que o debate seja feito, pois é deste confronto de ideia que atingimos a maturidade nos mais diferentes campos.

Sabemos que existem muitas coisas provadas e aceitas como verdade, como fórmulas matemáticas, reações químicas, forças da Natureza, datas históricas e regras gramaticais. E há também muitos princípios regidos pelo bom senso que não precisam de grandes mudanças, como certos comportamentos e compromissos sociais e respeito às diferenças. Mas há também uma gama de fatores que podem ser confrontados. Assim, ainda há muitos desafios a serem lançados. E é aí que o Filosofia ganha forma.

Voltando à Educação, sabemos que, por mais ela tenha evoluído, há ainda alguns pilares que parecem beirar o sagrado, tamanha é a resistência de alguns a questioná-los. Muitas ideias e autores consagrados parecem intocáveis e, dependendo do debate, qualquer dúvida ou questionamento a seus ensinamentos é tratado como uma ofensa que beira à heresia. Ora, além de ser um ato antifilosófico ainda cai na frase de Nélson Rodrigues, que dizia que toda unanimidade é burra.

Nem sempre a mudança é necessária, mas a reflexão sobre o mundo, o é. Temos mazelas e muitas melhorias a serem feitas, pois diferentes visões e levam à novas práticas. E novas medidas impedem que vivamos na estagnação. Já dizia Einstein: “como esperar resultados diferentes se fazemos sempre as mesmas coisas?”

Assim podemos considerar Educação e Filosofia andam de mãos dadas, apontando para o mesmo caminho. Ou podemos dizer que Filosofia é ou que Educação é Filosofia. Tanto faz. O importante é buscar entender o mundo por meio da observação, reflexão, argumentação e respeito, sem medo de mudanças.

Sobre o autor

Fábio Emerenciano author

Fábio Emerenciano é educador desde 1994. Tem formação em Letras com Habilitação em Língua Inglesa pela Universidade Estadual da Paraíba, e Pós Graduação em Metodologia e Ensino da Língua Inglesa e Espanhola. Tem dois cursos de inglês avançado pela EF School em Hastings, Inglaterra. Foi professor em diversas escolas de idiomas de Campina Grande, como Cultura Inglesa e Yázigi, nos níveis iniciantes, intermediários, avançados e de proficiência. Nestas instituições também organizou eventos culturais onde escreveu e dirigiu peças teatrais e coordenou números musicais. Por três anos acumulou experiência na coordenação pedagógica do Yázigi Campina Grande. Trabalhou também em centros profissionalizantes como SENAI e SENAC. Nos últimos anos vem trabalhando com aulas particulares nas modalidades online e presencial. Além de professor é tradutor de textos acadêmicos há mais de 25 anos. Tem experiência com transcrição de áudios, legendagem e já trabalhou como intérprete.

2 Comentários

Sophia P AlmeidaPublicado em7:40 am - Abr 1, 2021

Excelent article my friend! I mean it ! Congratulations

Deixar uma resposta